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Crônicas de Valéria Áureo
Postada por:  Redação (Carmen Lúcia Marini Vieira Júlio),  em  02/07/2020 às 20h14
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Licença, Seu Moço!

02/07/2020 às 20h14

Valéria Áureo

Peço licença para entrar em sua casa e trazer você comigo. Licença para desconstruir, fazer releituras, contra leituras e colocar o Tejo no quintal da minha casa, para imaginar que Fernando Pessoa sempre soube que Portugal estava aqui no meu Brasil, e diluiu seu rio em minhas terras. Colocar o meu rio, o Pomba, em terras d’além mar, ou onde mais eu queira, para que ele me faça muito bem. Deslocar aquelas águas a meu incondicional prazer; acostumar você a apreciar o seu rio natal e fazê-lo conhecido, passando por sua varanda, por seu quintal, para que amanhã, longe de sua pátria, possa revê-lo em cartões postais. Eis que a beleza do rio é a lembrança e a saudade que dele se tem.

Peço licença, seu moço, para reunir na mesma sala, Julinha, Edmar, Zorba e Marotta, e tantos amigos seus, sob o olhar de Dona Maria, porque a amizade perpetuou um carteado, uma conversa, uma discussão, um jogo, uma paciência, ensejando a possibilidade de estarem juntos infinitamente, extrapolando o tempo dos mortais.

Peço licença para plantar flores, inúmeras flores e fazer primaveras em Silveirânia, seja qual for a estação.

Licença para trazer para o meu bairro, aqui no Rio, a Cachoeira de Passa-Cinco e visitá-la quando eu tiver vontade. Sei que está disponível aos amigos de seu dono e quero resgatá-la sem seus perigos, sem seus afogados, sem suas tragédias, apenas com águas antigas, quando não estiverem sujas, despejando sua paisagem bem no meio da minha rua, para interromper o fluxo dos carros apressados e contrastá-la, paralelamente, com a praia do Flamengo. As duas são belas e eu as desenho onde quer meu coração. Coloco essa paisagem aqui, como implanto edifícios da Atlântica na Domingos Inácio, arquiteto que sou do improvável, ou para brincar de Burle Marx e fazer jardins e fazer você imaginar pinturas e construções; ler nas entrelinhas, comover-se com os textos subliminares e entender, sobretudo de sonhos e construir outras Brasílias de Niemeyer, onde lhe aprouver.

Peço licença para revisitar a Lola e dela perceber, novamente, um aroma de rosas, um canto de pássaros, sem ter visto rosas ou pássaros e receber por seu intermédio as bênçãos de Deus. Quero a sua fé e seu amor incondicional ao Sagrado Coração de Jesus, fazendo orações perenes, silenciosas e interiores, reconfortantes e cálidas como sal. Quero o real, o exato, o inquestionável, mas quero imaginar que escrevendo palavras de mil sentidos, passaremos a ser mais flexíveis em nossos entendimentos, poderemos aceitar com mais carinho as diferenças e poderemos compreender que os fatos admitem duas leituras, ou mil, porque quem lê é coautor e reconstrói o texto, liberto da ditadura de linhas, vírgulas e signos. Liberto inclusive da ditadura do próprio autor e dos grilhões da mera interpretação literal.

Licença poética para escrever poesia em prosa ou em verso, usar língua de anjos, ser anjo e adormecer sob a égide de nosso admirável Péricles de Queiroz e reverenciar com muito orgulho a poesia pombense. Licença para enaltecer o nosso poeta, proclamá-lo aos meninos, para que também amem os livros, conheçam seus escritores e exercitem fazer cultura com ufanismo e o vigor de nossos valores regionais.

Peço licença para falar sobre tudo o que puder ser dito, desconstituindo o óbvio, estilhaçando na parede o verbo, retalhando palavras como artesanato de ideias, porque poesia não é bula de remédio, não é receita de bolo, não é fórmula, não é memorando. Poesia é um impulso do coração acelerado sobre papel, é um entregar-se incondicional à arte de escrever, com um prazer incomparável de trazer um novo olhar àquilo que é linear, ao comum e recorrente.

Licença poética para ressuscitar pessoas que participaram da história de nossa sedutora cidade, refazer acontecimentos, divulgar nomes, edificar bustos de bronze para nossos ilustres intelectuais, construir um mundo mais favorável à distribuição do conhecimento e da cultura.

Licença para ser diferente na forma de falar, e de escrever, mas ser provocador, aguçar curiosidades, convidativo, repartindo o prazer de fazer literatura. Ser bairrista e exaltar com altivez a minha nacionalidade, a minha naturalidade e os meus conterrâneos.

Licença para não desperdiçar belezas de gente que se instala na janela e vê um e outro pela rua, interrompendo o quotidiano de suas amarguras, sendo personagens da história.

 

Valéria Áureo

20/09/2002






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