PÁGINAS  
   ENQUETE  
Qual a sua preocupação com o meio ambiente?
Utiliza as lixeiras de coleta seletiva?
Tem o hábito de reciclar lixo diariamente?
Economiza energia?
Consome marcas ecologicamente corretas?


   TEMPO AGORA  
   PUBLICIDADE  
   ESTATISTICAS  
Total de Visitas: 4745020
 Online Agora: 14
Política
Postada por:  Redação (Carmen Lúcia Marini Vieira Júlio),  em  20/11/2019 às 20h03
Compartilhar no Orkut Comentários ( 0 ) Comentar Link: Fonte
Quando o muro caiu

20/11/2019 às 20h03

 *Daniel Medeiros

O Brasil se preparava para o segundo turno das eleições presidenciais, entre o metalúrgico socialista Luís Inácio Lula da Silva e a incógnita liberal salvacionista Fernando Collor de Melo, quando a televisão anunciou a queda do muro de Berlim. Era o dia 9 de novembro e o jornalista Pedro Bial, em cima do muro, cercado de gente eufórica comemorando o fim da parede de concreto e da divisão simbólica que separava o “paraíso" comunista do “inferno” capitalista, dizia: “vejo a história acontecendo diante dos meus olhos”. No entanto, as pessoas que queriam romper o muro, fazer desaparecer o muro, apagar o muro (mas não esquecer do muro), não viam nada disso como a vitória do capitalismo, mas como a vitória da liberdade contra a violência brutal e desumana do totalitarismo. Mesmo assim, os capitalistas comemoraram como se fosse por eles (e para eles) que o muro caiu. Há trinta anos. 

Hoje, diante dos recordes de desigualdade social, nada do que vemos permite dizer que foi isso que realmente aconteceu. Da mesma forma que a vitória das ideias de Collor não sobreviveram a uma investigação do Congresso, a queda do muro só foi capaz de trazer novas perguntas ao mundo. E agora, sem muro, o que fazer para que a grande praça pública abrigue a todos, atenda a todos com o mínimo de dignidade? Pois é sabido que os países chamados de comunistas proporcionavam o mínimo de bens, embora seja óbvio que pão é fundamental para a fome, mas a fome de ninguém acaba com o pão. Continua com a vontade de criar, expressar-se, viajar, maravilhar-se, discursar, inventar, criticar, manifestar, ou mesmo ficar quieto em seu canto. Acontece que sem o pão, com a barriga roncando, e sem saúde, com o corpo todo doendo, aí as outras fomes se calam. O desafio do mundo é o da liberdade com garantias mínimas de uma vida digna. E nesse aspecto há ainda muitos muros levantados, muros verdadeiros como os da Cisjordânia e da fronteira do México, muros invisíveis como os que separam a pobreza da cidadania, a cidadania dos serviços públicos, os talentos da boa escola, os gênios do apoio, os cientistas de verbas e as minorias de reconhecimento.

Há trinta anos, o muro de Berlim caiu e um intelectual norte-americano, Francis Fukuyama, disse que a História havia terminado, que não haveria mais conflitos capazes de transformar o mundo e que, "agora", navegaríamos em um mar de economias liberais contínuas, uma marolinha aqui, uma chuva mais forte ali, mas todos os barcos teriam como destino os mesmos portos. E trinta anos depois, nenhuma paisagem é mais conhecida do que a do mar revolto da economia mundial, da ascensão dos governos nacionalistas, dos discursos autoritários contra imigrantes fugidos das guerras em seus países - guerras alimentadas pelas políticas armamentistas das mesmas nações que tentam evitar a entrada dos fugitivos. Também há fortes ventos no comércio, com novas medidas protecionistas, sobretaxas, acordos bilaterais, guerra comercial. Tudo aquilo que o capitalismo negava e pregava ser coisa do outro lado do muro. Mas o muro caiu. Mas o muro não caiu. Ou são as pedras do muro caído ainda a atravancar o caminho.

*Doutor em Educação Histórica pela UFPR e professor de História no Curso Positivo


 






Avaliação (Vote clicando) - 0 voto(s)
 (0.00)
12345678910

Deixar Comentário

[ 0 ] comentário(s)

Nenhum Comentário ou aguardando aprovação



 
.:: Mais Notícias sobre Política
04/02/2020
TSE disponibiliza consulta externa a sistema que reúne contas eleitorais e parti...
03/02/2020
Vitória da AMM: primeira parcela do acordo do Estado com os municípios já está n...
06/01/2020
Aprovadas as primeiras resoluções das Eleições 2020
17/12/2019
A VOLTA DA DITADURA!
20/11/2019
Quando o muro caiu
13/11/2019
O Sonho da Grande Pátria
06/11/2019
Um outubro conturbado na América Latina
28/10/2019
Acordo da Base de Alcântara “favorece desenvolvimento do mercado espacial”, afir...
23/10/2019
Deputados aprovam acordo que permite uso comercial da Base de Alcântara
23/10/2019
Com 60 votos favoráveis, reforma da Previdência é aprovada em segundo turno no S...
02/10/2019
UM CHOQUE NA ADMINISTRAÇÃO
18/09/2019
Debate: 30 anos da Constituição Mineira revela desafios
06/09/2019
7 de setembro: O famoso grito da independência
05/09/2019
Deputados conseguem apoio do presidente da Câmara na luta por recursos para pesq...
05/09/2019
Romeu Zema libera R$ 17 milhões para compra de medicamentos
04/10/2014
ELEIÇÕES E O CONTROLE DE ACESSO
   PUBLICIDADE  
 
 
 
 
   
   
® O Imparcial
Rua Quirico Marini, 55 - Rio Pomba - Minas Gerais
Telefone: 32-3571-1822 / E-mail: jornal.oimparcial@uol.com.br