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Crônicas de Valéria Áureo
Postada por:  Redação (Carmen Lúcia Marini Vieira Júlio),  em  10/10/2019 às 08h51
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Os dias são assim! (prosa de descontentamento)

10/10/2019 às 08h51

 Valéria Áureo

Que os dias fossem assim, de paz, como já foram, é o que eu desejaria. Agora já não são e eu não consigo mais me conter. Um segundo e as coisas mudam, asfixiando com um lamaçal de escândalos cada um de nós. Os dias deviam ser assim: ar, natureza, paz, saúde, trabalho, educação, segurança e a vida com a leveza de se viver com dignidade. Alguns dirão que meu pensamento é burguês e eu me pergunto o que realmente querem dizer com isso. Paz é o que eu desejo e uma vida modesta, mas segura e digna. O melhor caminho é o do meio. Uma vida tranquila! Nem o interior é mais assim. É o caos absoluto. Falam comigo que este é o pior lugar possível para se viver e isto me deixa perdido na constatação de tantas informações de corrupção. Estão certos! O Brasil está vendido para mil, cinco, dez, cem mil homens desonestos. Todo o resto da população está acuada.  O número de pessoas honestas é maior, bem maior, mas...  Eu não sei de nada. Parece que todos guardam informações secretas que valem milhões, bilhões, trilhões e que maletas de James Bond e mochilas recheadas circulam pelas mais remotas cidades. Político agora é gângster. Uns mais habilidosos do que outros. E eu preciso de um roteiro para este filme de horrores, para saber o que escrever. Que bom que eu não sei... Nada sei sobre Máfia! Ou nunca soube o que agora vem à tona. A imprensa não sabia; a polícia também não, nem as autoridades, nem a Receita Federal, nem os confessores, os padres e rabinos; pois tudo era “debaixo dos panos”. Será? Aliás, nem os criminosos sabiam!

Não sei nada sobre este país que também me desconhece e me ignora. Este país não me respeita mais. Nada sei, ou saberei, mas observo, nas minhas inquietudes o quanto me enganei com este Brasil desacreditado, sangrado ferozmente, desmoralizado, falido e humilhado mundialmente. Mas, mesmo que me julguem alienado, prefiro voltar às poesias, às prosas, aos contos, antes que eu tenha uma nova crise de pânico. Estamos comendo o pão que o diabo amassou e colocou na fornalha. Na poesia eu me salvo! Eu escolho o que fazer com as minhas incertezas: fazer dessa inquietação do meu coração nacionalista, brasileiríssimo, minhas palavras de esperança e fé. Não sei o que poderei com minhas palavras e o que escreverei. Estou tão perdido, sem chão e sem versos!... O que fizeram com o Brasil?

Eu dou voz às coisas e pessoas tímidas; às pessoas assustadas, iludidas, desesperançadas, pobres e desvalidas e que nunca souberam falar de suas virtudes. Suas virtudes de berço, de família, de escola, de cidades e que já valeram tanto... Falo em nome dos que estão refletidos nas imagens deprimidas dos espectadores, enquanto assistem no noticiário a decadência de nossa pátria de propinas, ora prostituída.

Eu sou um homem de dúvidas e procuro nos corruptos (corruptores e corrompidos) qualquer sinal de culpa e de humanidade. Não, não sentem culpa e não sentem nada. Não são humanos. Perdido em todas as minhas incompletudes eu me esforço para compreender como se formam essas criaturas sem moral, sem escrúpulos e sem dignidade. E não sei manifestar a minha revolta em palavras rudes, em xingamentos e blasfêmias. Eu lamento pelo Brasil e seu povo desvalido. É o que eu posso dizer.

Não sei se a consagração da vida neste momento está no missal, na Bíblia, no Cântico dos Cânticos e nos Salmos; no ritual de dobrar os joelhos nos cultos, na missa e na reza do Terço, no Hino Nacional, na Constituição, nas Forças Armadas, no Fechamento do Congresso, nas armas e na ressignificação da Bandeira Nacional. Não sei!...

Não sei o que é humano nos corruptos e nos canalhas. Nada sobra neles de aproveitável. Sei das flores deste país verde e amarelo e tropical, mas não compreendo o que desfalca a harmonia dos jardins com tanta facilidade.

Não sei e só saberei amanhã, quando acordar. Por enquanto eu vivo esse desgraçado pesadelo. Os dias são assim!...

 Valéria Áureo– Rio, 25/05/17






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