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Crônicas
Postada por:  Redação (Carmen Lúcia Marini Vieira Júlio),  em  04/10/2019 às 16h23
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AS ÁRVORES NÃO TEM ASAS
Crônica do meu livro não publicado: Crônicas de Outono

04/10/2019 às 16h23

 Sildo Victal Gaudereto

Depois do café da tarde gostávamos de aproveitar o sol e a sombra das casuarinas na Várzea da Estação. Bastava que um de nós mencionasse a sugestão do passeio para que ela viesse correndo do quintal. Era um momento festivo. Fany corria à nossa frente ora vindo saltitante ao nosso encontro parecendo agradecer a alegria por aquele momento. Sua liberdade ganhava o pasto verde regado de sol. Estávamos ali por perto debruçados sobre o guarda-peito da ponte vendo o rio escorrer ou sentados debaixo da sombra de uma casuarina, e ela às vezes se certificava disso.

A alameda de casuarinas se estendia do pé do morro da rua Juvenal Pena até à ponte. Ficávamos sempre na primeira poucos metros depois. Do outro lado do rio umas poucas árvores amenizavam o sol na estrada de terra. Pessoas nos cumprimentavam, e algumas mais conhecidas paravam por alguns instantes para um dedo de prosa. 

Numa tarde de domingo estendemos nossa caminhada até ao morro que fica atrás da sede da estação ferroviária, também conhecido por morro tira-chapéu. Era assim denominado por onde os viajantes vindos de Juiz de Fora avistavam a cidade e a torre da igreja. Tiravam seus chapéus em agradecimento a Deus pela viagem e por terem chegado à seu destino.

Subimos em fila indiana entre o capim gordura e em ziguezague para amenizar o esforço. Às vezes parávamos um pouco para observar a altitude. À medida que subíamos, mais admirávamos o que víamos ao redor. Chegamos ao topo. Alcançamos a árvore que avistávamos de longe de qualquer ponto que olhássemos para o morro. Sentamos sob sua generosa sombra vendo seus galhos abertos e achando-a bem maior do que imaginávamos. Era uma enorme árvore e ali permanecemos por algum tempo. O vento passava de correria por entre nós enquanto nos encantávamos com a cidade repousada sobre a paisagem verdejante. O céu azul desfraldava diante de nós um momento de alegria e redenção com a natureza. Lembrei-me de um poema escrito por meu irmão Sérgio que eu havia musicado. " Bebi do ar, do sol, da extensão/me saciei de azul profundo/ pisei solo antigo/derramei amor sobre as distâncias". 

Escrevemos nosso nome com um canivete no espesso tronco certos de que assim se perpetuaria nossa passagem aventureira. Ali permanecemos por algum tempo, depois descemos devagar antes que a noite caísse até chegarmos em casa. Ao longo da estrada olhávamos a árvore no alto do morro parecendo agradecer nossa visita. Dizíamos orgulhosos que estivemos lá naquela árvore, onde talvez poucas pessoas ou nenhuma outra tivesse ido. Assim pensávamos.

 

Anos depois, em um dia qualquer, vimos que a nossa árvore havia desaparecido. Não tivemos tempo de nada. Se pudéssemos a teríamos pedido para voar para um outro morro bem alto e bem distante.

É uma pena árvores não terem asas!






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