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Crônicas de Santão
Postada por:  Geraldo Santão,  em  26/11/2013 às 15h44
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Idôneo, idoso, experiente e sábio
Amigos, para muitos de nós essas palavras que usei para o título significam a mesma coisa. Mas estamos longe disso.

Amigos, para muitos de nós essas palavras que usei para o título significam a mesma coisa. Mas estamos longe disso.

Várias pessoas, não sei se educadamente pra me agradar, dizem assim a respeito das minhas crônicas teimosas (já fizeram bodas de ouro): “Eu não sei como é que você consegue, há tanto tempo, escrever sem parar e não repetir nenhum tema"...

Primeiramente, e para mim pelo menos, nós produzimos muito pouca coisa nova. Os nossos textos são até, e na verdade, uma repetição eterna das mesmas coisas. É como se eu fosse a centenas ou milhares de bailes pela vida afora e, a cada um deles, eu comparecesse com uma roupa diferente. Ou seja, o que muda são as roupas, o traje, que também nos identificam na rua, no trabalho, no velório... Prefiro ser o mais transparente possível.

Mas há uma coisa chamada curiosidade — importantíssima, por sinal — a verdadeira responsável pela formação de algumas pessoas esforçadas, como é o meu caso, que não tenho nenhum título de doutor, não frequentei faculdades... Sou um daqueles garimpeiros da nossa literatura (há muitos como eu por aí), que, quando os outros estão dormindo, eu estou com as minhas ferramentas no garimpo, na biblioteca, e, para ser franco, eu mesmo não sei o que estou procurando, mas sei que estou aprendendo a cada dia, a cada hora, a cada minuto... É um brinquedo fantástico para mim, esse de garimpar conhecimentos, porque sem data nem hora marcadas, de vez em quando encontro uma pepita de ouro nas minhas leituras. E mais: eu não tenho preconceito, as chamadas pedras preciosas, menos pomposas pelo povo, essas também me encantam de vez em quando. Aliás, o tempo vai passando e a gente não percebe que já juntou centenas e centenas de livros, revistas e, de cada um deles temos lembranças de ensinamentos importantes, às vezes encontrados até numa publicação anônima, sem data, mas que, de alguma forma, foi mais um farol para alumiar a estrada do nosso aprendizado eterno, pois, como já se diz, estudamos tanto e morremos sem saber nada.

Hoje, a propósito, que nada mais é do que a segunda-feira última que passou, queria eu adiantar a matéria para o domingo, que é hoje, mas nada de interessante me vinha à cabeça— como eu já disse, muitos ficam bobos onde encontro tanto assunto. É o seguinte: se não é alguma coisa que me dá na veneta, é no meu garimpo, “meus guardados”. E foi assim que, num armário grande, esquecido, achei lá um livreto de provérbios (com certeza fui eu mesmo quem comprou algum dia, pois as páginas amarelecidas pelo tempo anunciavam na primeira página: “Provérbios, conselhos e frases célebres”). Opa — pensei aliviado —, aposto como vou encontrar alguma coisa, quando não erudita, pelo menos com tinta de sabedoria. E abri.

Já na segunda capa encontrei o seguinte:“Um provérbio é o cavalo que pode me levar rapidamente à descoberta de ideias”. Já de cara eu pude dizer: bendito seja o meu garimpo. Imediatamente abaixo tinha outro que me chamou muito a atenção: “O amor é na mocidade o que a mocidade é na vida, o que a vida é na eternidade, isto é, um relâmpago”. Amigos, isso é coisa para se ler de novo, podem ler. Mas não é formidável? Eu, que estava sem ideias, só aí já mexeu comigo e muito. Tudo anônimo, viu? Não tenho, pois, como citar os autores.

Fui em frente. Tinha outro assim: “O hábito não faz o monge (mas fá-lo parecer de longe)". Quanto a este, muitos de nós, mais antigos, já estamos cansados de ouvir, mas será que todos nós paramos para analisá-lo direitinho? Sim, pois o importante é entender a mensagem. Ou seja, o que o provérbio diz é que devemos ser cautelosos com os outros, porque, se os analisamos ou julgamos pela aparência (de longe parece monge, mas é monstro), olhe nóis aí na enrascada...

Outro interessante: “Como a ferida inflama o dedo, o pensamento inflama a mente”. Meu Deus, como eu acho isso importante! Das dores que sofremos, a maioria delas são dores trazidas por pensamentos ruins, pensamentos que podemos evitar. A maioria das vezes, se estamos com um problema a nos atormentar, a tendência é continuarmos martelando aquele pensamento até adoecer a mente, sem pensar que poderíamos desviar o pensamento ruim, buscar coisas boas, tentar mudar, tentar mudar, tentar mudar o pensamento, eliminá-lo, que a sua dor passará. Mas quase todos, alguns passam a noite inteira pensando no problema que nunca vai ter solução pelos caminhos que estão sendo martelados. Há técnicas para se curar disso, é só procurar a pessoa competente para salvar você. Mas pare de martelar e mude. Mande a tristeza embora, senão ela te leva a uma bela depressão. Aí...

O fato, minha gente, é que nós somos metidos a sabichões. Tem gente que acredita piamente que já sabe tudo. É com ela mesma. Sabe tudo.

Por isso eu escolhi o título acima, porque tem gente que pensa que tudo é a mesma coisa: que o idoso, o idôneo, o experiente e o sábio são uma coisa só. Eu, porém, assumo a categoria de idoso, porque dobrei a casa dos 70, não adianta esconder. Recuso-me, entretanto a aceitar a condição de velho, no sentido de desgastado e inútil. Quanto ao idôneo, tenho até orgulho de que não encontrarão ninguém com autoridade para negar a minha idoneidade, sou idôneo, escolhi o caminho mais difícil, porém, o mais gratificante. Mas sábio, desse aí, quem sou eu para sequer imaginar, pobre de mim. “Só sei que nada sei”, como afirmou o maior sábio da Grécia, Sócrates, que preferiu a morte, em vez de seguir o que o deus do povo grego disse a respeito dele, Sócrates, ou seja, que ele era o maior sábio da Grécia. E afirmou: “Só sei que nada sei”. Para os Gregos, na época, este era um pecado imperdoável. Ele foi condenado a beber veneno (costume do seu povo). Bebeu e morreu, mas seu caráter sem máculas não o deixou mentir. Ele sabia que a sabedoria plena é inalcançável. Este era Sócrates, o maior sábio de todos os tempos. Hoje, se ele pudesse levantar-se do túmulo, bastaria mostrar-lhe Brasília e o Congresso Nacional Brasileiro, e o que fizeram com a democracia que o sábio criou. Só isso e tenho certeza de que preferiria beber veneno de novo. Mas a esperança não morrerá, se nós continuarmos a expor essas nossas misérias éticas. Quem sabe um dia...






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