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Nacionais
Postada por:  Redação,  em  15/10/2013 às 10h24
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O Brasil muda de fisionomia

 
Como acontece naturalmente em todo processo de crescimento e desenvolvimento, o indivíduo tende a mudar seus traços, carregando consigo algumas marcas do tempo relacionadas ao amadurecimento. Entretanto, características determinantes em sua gênese podem necessitar de elementos concretos e tangíveis para justificar mudanças de estilo e comportamento.

15/10/2013 às 10h24

Por Pedro Félix Vital Jr.*

 

Como acontece naturalmente em todo processo de crescimento e desenvolvimento, o indivíduo tende a mudar seus traços, carregando consigo algumas marcas do tempo relacionadas ao amadurecimento. Entretanto, características determinantes em sua gênese podem necessitar de elementos concretos e tangíveis para justificar mudanças de estilo e comportamento.

Dados recentemente publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam, surpreendentemente, o País num sentido de desenvolvimento humano que, apesar de não acompanhar literalmente semelhanças com outras nações de iguais características, nos dá um espírito otimista numa perspectiva de aproximação nas diferenças regionais, favorecendo o reconhecimento e inclusão de um grupo populacional marginalizado ao longo da história.

O Brasil conseguiu, ao longo dos últimos 20 anos, melhorar 11,24% sua expectativa de vida. A região Nordeste saiu dos piores indicadores (58,25 anos em 1980) chegando à margem de  71,2 anos em 2010. Em termos gerais, houve um ganho de 12,95 anos.

Apesar de convivermos com a moléstia da dificuldade de acesso  nos mais diversos níveis de complexidade da assistência, gerados pela longa história de poucos investimentos e mau gerenciamento, compartilhamos hoje um cenário de carências de recursos humanos e estruturais na saúde que impactam qualquer tentativa de melhora a curto e médio prazos, principalmente quando falamos da maioria dos estados das regiões Norte e Nordeste, assim como das periferias das grandes metrópoles. Ainda assim, tivemos melhoras consideráveis no que diz respeito à taxa de óbito infantil até um ano de idade, passando o Brasil dos seus 75,8 óbitos para cada mil crianças em 1980 para  16,7 óbitos nesse mesmo grupo em 2010.

Nesse quesito, a região Sudeste apresentou a maior taxa de redução percentual, enquanto a Nordeste a maior taxa em valores absolutos. Alagoas mantém-se com valores aproximados de 30,2 óbitos por mil habitantes entre 0 e 1 ano, enquanto Santa Catarina apresenta 9,2 (IBGE – 2010).

Quanto à expectativa de vida até cinco anos de idade, saímos do patamar de 84 mortes para cada mil habitantes para 19,4, representando uma redução de 76,9%. Na região Nordeste migramos de uma zona sombria de 120,2 mortes para 26 óbitos, apresentando queda de 78,3%.

Fatores como melhora na escolaridade, saneamento básico adequado, menor desnutrição infantojuvenil, maior acesso ao sistema de saúde e acompanhamento pré-natal favoreceram significantemente o quadro atual.

Indicadores relacionados à renda per capita também mostram tendências regionais distintas, sendo a da Região Sul duas vezes em média maior que a do Norte e Nordeste. Convivemos com mais de dois milhões de brasileiros em situação de miséria plena. Programas governamentais como Brasil sem Miséria e Bolsa Família, independentemente do quanto possam gerar críticas relacionadas ao planejamento, execução e perenidade, têm sua importância no sentido de dar condições mínimas de subsistência a um grupo populacional, retirando-os de uma linha crítica de pobreza, favorecendo mesmo que de forma singular sua inclusão social.

Essa nova face do Brasil traz consigo uma intensificação das marcas de senilidade. E um país com aumento da taxa de sobrevida. Logo, com um número de idosos que atinge valores médios de 20 milhões de habitantes. Dados do IBGE de 2010 reconheceram 449.129 indivíduos com idade superior ou igual a 90 anos. Apresentamos uma taxa média de longevidade de 73,4 anos, mas ainda inferior a países latinos, como Argentina (75,8 anos) e México (76,89 anos), assim como países desenvolvidos, como Reino Unido, Canadá e Japão, com 80,75, 80,93 e 82,59 anos, respectivamente.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 1980 tínhamos uma esperança de vida aos 60 anos de mais 16 anos, 4 meses e 6 dias. Já em 2010, nessa mesma idade a esperança de vida aumentou para 21 anos e 6 meses. Também com base nesses dados apresentamos divergências regionais, com menor expectativa no Maranhão (68 anos) e maior no estado de Santa Catarina (75 anos).

A ampliação da esperança de vida verdadeiramente representa um grande progresso para a sociedade, entretanto como nos preparamos para esse envelhecimento? Como nos preparamos para receber esse novo fenômeno brasileiro? Já temos estratégias de políticas públicas e de iniciativas privadas que equilibrem suas consequências?

Países desenvolvidos, que já viveram ou ainda convivem com esse contingente populacional reconhecem a grande vitória representada pela melhora dos indicadores de qualidade de vida. Contudo, percebem outros fenômenos intrínsecos dessa faixa etária, como a queda da renda familiar ou individual, o isolamento, maior necessidade de assistência à saúde, maior inatividade e dependência de terceiros. Consequências econômicas são facilmente percebidas pelo aumento das demandas dos gastos públicos com aposentadorias, redução da força de trabalho e crescimento econômico, mudanças nos perfis das doenças prevalecendo às enfermidades crônicas e demenciais, com aumento dos custos do financiamento à saúde.

Apesar dos inúmeros contrastes comuns ao Brasil e aos brasileiros, temos que comemorar as etapas conquistadas e nos debruçarmos em busca de novas ações que proporcionem que jovens e velhos, dependentes ou independentes, que vivam com dignidade no exercício pleno da cidadania.

 

* Pedro Félix Vital Jr é coordenador do curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina - FASM







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