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Crônicas de Santão
Postada por:  Geraldo Santão,  em  01/07/2013 às 16h35
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Um amigo e muita saudade
Amigos, o ditado fala que, neste mundo, tudo é passageiro, menos o chofer (do francês chauffeur), e o trocador — os dois personagens que sobraram do trocadilho. Tudo passa, tudo mesmo, ninguém escapa ao tempo; a todos e a tudo ele sucederá. Reinará soberano, infinitamente, como só assim é sabido, até agora, pela humanidade. Sobra-nos, pois, uma fatia de existência neste planeta, pelo menos neste, a que damos o nome de vida e da qual desfrutaremos prazeres deliciosos, mas também sofrimentos dolorosos. Não sei quem é o autor da frase, mas serve muito bem para dizer o que quero: “Do berço ao túmulo há um caminho; a cada quilômetro uma rosa, a cada passo um espinho”. E é nesta mesma estrada que eu e você e qualquer um terá que caminhar. Desde o nascimento, adolescência, adulto, maduro e morte, fim. A não ser que, por alguma razão particular, se lhe apareça prematuro o fim.

01/07/2013 às 16h35

Amigos, o ditado fala que, neste mundo, tudo é passageiro, menos o chofer (do francês chauffeur), e o trocador — os dois personagens que sobraram do trocadilho. Tudo passa, tudo mesmo, ninguém escapa ao tempo; a todos e a tudo ele sucederá. Reinará soberano, infinitamente, como só assim é sabido, até agora, pela humanidade. Sobra-nos, pois, uma fatia de existência neste planeta, pelo menos neste, a que damos o nome de vida e da qual desfrutaremos prazeres deliciosos, mas também sofrimentos dolorosos. Não sei quem é o autor da frase, mas serve muito bem para dizer o que quero: “Do berço ao túmulo há um caminho; a cada quilômetro uma rosa, a cada passo um espinho”. E é nesta mesma estrada que eu e você e qualquer um terá que caminhar. Desde o nascimento, adolescência, adulto, maduro e morte, fim. A não ser que, por alguma razão particular, se lhe apareça prematuro o fim.

                Resta-nos, então, enquanto vivos, passar por este mundo, procurando fazer com que cada passo seja para levar-nos em direção a um destino harmônico, sem estresse, sem precipitação e sem que, principalmente, deixemos de respeitar o espaço de cada outra pessoa que também caminha como nós e, portanto, sujeita aos mesmos direitos e deveres. É assim que deveríamos viver e conviver. Viver, no sentido de apenas existir, é muito fácil: a pessoa só pensa em si mesma, não conhece a palavra “ajuda”, não tem nem quer amigo, porque dá uma chateação danada, enfim, trata-se de alguém totalmente imprestável. E a própria palavra “imprestável” já diz tudo: aquele que não presta. Ora, não conheço ninguém que se possa dizer autossuficiente, que de ninguém dependa. Se assim é, como pode alguém conviver? Uma pessoa assim, mal tolera a si própria, quer apostar? Odeia-se ao espelho, aposto. E tem gente assim, viu? Ao se olhar ao espelho, odeia-se pela outra que enxerga do outro lado. Oh, como as pessoas não se conhecem!...

                Mas, em compensação, existe um universo bem grande de pessoas excelentes, boas de natureza, corações acolhedores, pessoas prestativas, aquelas que vivem socorrendo o próximo em troca apenas do prazer de estar ali tirando a dor de alguém, aliviando a carga muitas vezes grande demais para alguns infelizes... Tem muita gente boa neste mundo.

                Por isso é que quando morre uma delas, sinceramente, fica um vazio muito grande. E exatamente quando morrem é que, muitas vezes, só assim, vamos perceber o quanto aquela pessoa era especialmente extraordinária. Morreu o meu amigo Manoel Coelho, o Pepita, o Pepito, o Mané Pepita de tantos outros, e o Manoel da D. Janira, que só de Manoel ela o chamava. Nunca a ouvi dirigir-se a ele com outro nome a não ser Manoel. Aquilo parecia um sinal especial de respeito. Nós, os amigos do Pepita, sempre brincávamos com ela, gostávamos de vê-la ficar com raiva... E ela ficava mesmo. Mas o Pepito não falava nada, apenas ficava com um sorriso calado e vendo-a  brigar com a gente. Dona Janira é muito minha amiga também, e a figura dela tornava o bar sempre um lugar familiar, ambiente de respeito. De qualquer forma era uma farra. E sempre muito bem frequentado. O Pepito sabia ser dono de bar. E vou dizer mais: ser dono de bar não é pra qualquer um. Muitas vezes os bebedores deixam bares bem montados, chiques, e se juntam todos numa bodega qualquer, como era o caso do Geraldo Clemente (Sô Galo), em que sentávamos até nos engradados de cerveja, mas íamos lá; ou como o Telim, meu pai, que, inclusive, foram os dois donos de bar mais queridos da cidade, e de quem eu me lembre agora. Eram carismáticos. Alguma coisa de especial eles tinham, que fazia os fregueses frequentarem assiduamente.

                Mas voltemos ao meu amigo Pepita. Ele tinha uma coisa que só ele tinha e da qual se orgulhava: uma geladeira organizada. Ninguém, mas ninguém mesmo, por tantos anos com o bar aberto, teve a chance de reclamar do Pepita, dizendo que sua cerveja estava quente. Isto foi por toda a sua vida de dono de bar, ele nunca deixou acontecer. Não há como comparar, porque só o Pepita conseguiu esta façanha. Nasceu pra ser dono de bar. Sabia respeitar a todos os fregueses, como também se fazia respeitar com a sua postura inabalável. Eu mesmo devo ter frequentado seu bar por mais de vinte anos. Pois durante todo esse tempo jamais vi o Pepito desrespeitar quem quer que seja. Ao contrário, tratava com elegância. Depois que a minha turma secou o copo, estava lá o Pepito atendendo os nossos filhos, contando casos do nosso tempo para eles, e tal qual conosco, ganhou a amizade deles. Meus filhos adoravam ir ao bar do Pepito. Ou seja, ele atravessou gerações com a mesma classe com que eu o conheci lá no bar que ele tinha naquela esquina em frente à casa do Dante (+ ou – 50 anos atrás). Ali, uma vez, um bebedor ficou alterado e resolveu quebrar coisas. O Pepito correu, pegou um quadro do time do Botafogo (aquele quadro era sagrado para ele!), guardou, e disse a ele: “Agora, você pode quebrar o que quiser, porque eu sei que o seu dinheiro vai pagar tudo, só não paga o quadro do Botafogo”. E foi somando o estrago e pôs tudo na conta do rapaz. E recebeu.

                Meus amigos, o Pepito  merecia um livro, não apenas uma crônica. De qualquer forma, vai ser difícil lidar agora com esta saudade!... Adeus, meu amigo.     






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