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Crônicas de Valéria Áureo
Postada por:  Valéria Áureo,  em  01/07/2013 às 10h51
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Onde foi parar o futuro?
Todos imaginavam que Rita Cândida estava no fim, desde que apareceram os primeiros sintomas do Mal de Alzeimer; ficou alheia ao mundo, costumavam dizer... Coitada, dá até pena ver. Às vezes fica fora do ar.

01/07/2013 às 10h51

Todos imaginavam que Rita Cândida estava no fim, desde que apareceram os primeiros sintomas do Mal de Alzeimer; ficou alheia ao mundo, costumavam dizer... Coitada, dá até pena ver. Às vezes fica fora do ar. Antigamente lia tanto, tocava piano, era tão culta e não parava um instante. Ah! O idioma... como se orgulhava de falar tão bem o idioma. E como falava bem, e como declamava. Tinha uma memória privilegiada para os poemas. Agora mais essa; deu para ficar calada, triste, sempre absorta, abandonada na cadeira de balanço. Isso é o que a família pensava. Realmente, tinha seus momentos de isolamento sim, mas... Que pouco enxergava, isso lá é verdade, mas nada que óculos não pudessem resolver. No entanto não tinha ficado surda como acreditavam... Ouvia e ouvia muito bem; pra seu governo, dizia... Nem surda, nem caduca e muito menos burra; só um pouco mais lenta, um pouco esquecida e desanimada. Arrastava seus noventa e três anos com paciência e sobriedade e até delicadeza, porque não adiantava se revoltar contra a vida e nem mais correr. Cansada, sim... Não era pra menos; tinha atravessado o século, mas com as próprias pernas, dizia orgulhosa. Não se servia nem mesmo de bengala. De uns tempos para cá começou a se perguntar: para onde foi o futuro? Sim, repetia, andando sozinha pela casa: - o futuro, onde está?

Ninguém tinha muita paciência para explicar. Talvez o neto mais novo, mais chegado a ela pudesse esclarecer.

- Vó, gritava o menino, o futuro já chegou. Antigamente era o passado e hoje é o seu futuro e o meu presente. Não vê na televisão? Realidade aumentada e inteligência artificial, 4G, facebook, redes sociais, câmeras por todo lado, como se a vida fosse um grande Big Brother? Pois é, vó, o futuro já chegou... É tudo muito diferente do seu tempo. Lembra-se no seu tempo como era? Pois então, tudo mudou. Agora é muita informação em poucos segundos, todos conectados com o mundo inteiro. O fato “vai estar acontecendo” lá na Austrália e em pouco tempo a notícia “ vai estar se espalhando” como um vírus. O celular “vai estar mostrando” onde eu estou agora, veja só, que legal; “vou estar arrastando” o ícone aqui no google earth, para a senhora ver. Está vendo? Isto é o futuro. Já imaginou os carros? A senhora nem imagina, vó... Em muito pouco tempo os donos de veículos em vez de guiar, “vão estar sendo guiados”, enquanto “vão estar vendo” televisão, “vão estar falando” ao telefone, etc… Esses carros “vão estar sendo orientados” pelo GPS, e pelas placas de trânsito, para reduzir a velocidade e pelos sinais luminosos, para  estacionar. O carro do futuro “vai estar sendo conectado” a uma espécie de internet das estradas. Vai ser tão inteligente que “vai estar conversando” com os outros veículos para decidir quando e por onde “vão estar  ultrapassando”, diminuindo o número de acidentes nas estradas. Sem contar, vó, que os carros têm a capacidade de estacionar sozinhos. Não “vão estar precisando” nem de motorista. Viu aquele carro que derrubou a Ana Maria Braga? Acho que era dirigido por comando mental... A vó olhava em silêncio...

Coitada da vovó... Parou no tempo, concluiu o menino, já desanimado... E o neto saiu sem paciência, acreditando que a avó não compreendia nada do que ele falava. A vó “tá” longe, no passado. Mas a vó ainda insistia nas suas elocubrações solitariamente: - onde está o futuro? O futuro... O futuro, meu Deus... O futuro do presente do indicativo dos verbos: eu amarei, eu andarei, eu viajarei, eu escreverei, eu sorrirei, eu agradecerei, eu acreditarei... Por que todos falam: eu vou estar escrevendo, eu vou estar fazendo, eu vou estar lendo, eu vou estar comendo? Afinal, onde está o bendito futuro do indicativo?... E depois dizem que eu estou ficando gagá e que vivo no passado. Quero saber é do futuro! O que aconteceu com o futuro?... Qual, meu Deus do céu. E ainda acham que eu sou surda, coitados! 






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