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Crônicas de Santão
Postada por:  Geraldo Santão,  em  01/07/2013 às 10h44
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O otimismo e o pessimismo
Amigos, eis aí um velho tema que vira e mexe estamos cavucando em razão dele, não? Sinceramente, não sei se ganham os pessimistas ou os otimistas, mas acho que os primeiros estão em maior número.

01/07/2013 às 10h44

Amigos, eis aí um velho tema que vira e mexe estamos cavucando em razão dele, não? Sinceramente, não sei se ganham os pessimistas ou os otimistas, mas acho que os primeiros estão em maior número.

                Eu já escrevi aqui inúmeras vezes sobre um tio, irmão de meu pai, para quem tudo para ele estava péssimo: nosso Governo, então, esse era o seu alvo principal e o culpado de tudo que era ruim ou estava ruim no Brasil. E, como sempre, o preço do leite para o produtor era a maior vítima entre todos os produtos agropecuários — principalmente para ele, meu tio, que era quem tirava maior quantidade de leite naquelas bandas. Todos os dias, sentados nas latas para esperar o caminhão que recolhia o leite, o bate-boca era um só e, pior ainda, sempre encabeçado por ele: “Ah, não. Cês qué sabê de uma coisa? Só parando. Eu vou parar. Vou vender minhas vacas todas. Aqui, não vale a pena (gostava de repetir o ‘aqui’ ao começar todas as suas frases). Aqui, isso é preço de leite? Aqui, o homem da roça precisa tomar ao menos um pouco de vergonha na cara. Eu vou parar. Eu vô!” — frisava determinado.

                E entrava ano, fechava ano, a ladainha era a mesma. Lembro-me que isto era por volta de 1950, por aí, e o Getúlio é quem mandava no governo. E o meu tio lamentava tanto que eu, menino de nove anos, entrava num pessimismo brabo; eu achava que o mundo ia acabar, que eu não teria chance de crescer como eles que estavam sentados ali... Enfim, com um mundo tão ruim do jeito que ele falava, o fim estava chegando, tudo ia acabar (eu não tinha ideia como, mas se ele falava...)!

                De forma que, desde essa época, eu acabei me tornando um pessimista muito bem formado e diplomado na escola do meu tio. E o pior é que não havia nada, naquela época, que viesse de encontro àquilo que ele pregava, nada que combatesse, nada que trouxesse um pouquinho de esperança, um pouquinho de alegria... Por que Deus iria fazer isso? Sim, meu tio me perturbava, porque, ao me deitar, eu voltava a pensar naquilo tudo e... Pior: a situação lá na nossa casa (não na dele) estava de pobreza mesmo, meu tio parecia estar certo.

                Mas o tempo foi passando (e aqui eu pulo um pedaço da nossa vida, porque senão vira um baita e triste romance e o espaço não dá, de novo), o mundo não arrasou, como eu estava temendo, e viemos morar aqui. Com esse pulo grande que eu dei na narrativa, dá pra eu falar agora já como adulto, casado, três filhos, três netos, aposentado confortavelmente (não rico, nada de rico, que eu também não sou desse time, mas em condições de viver com conforto e com dignidade, situação até, deixe eu dizer, que eu sempre quis pra mim: materialmente, tenho tudo de que preciso). Ótimo.

                Hoje em dia, já mais lido, mais estudado um pouquinho, não sei se sou tão pessimista quanto era lá na roça. Não, não sou. Apenas o sou, quando ser pessimista me protege. Todos vocês que me leem por esse tempo todo sabem muito bem o quanto me fascina a filosofia de Confúcio. Consta ser dele esta bela frase: “O pessimismo torna os homens cautelosos, já o otimismo torna os homens imprudentes” Quer dizer: nem sempre o pessimista está errado.

                Se me permitem, até para deleite do leitor bem humorado, citarei algumas frases de gente famosa, gente que merece ser lida, como, por exemplo:

                —“Para não se tornar um tolo, o otimista precisa saber o quanto o mundo pode ser ruím. E apenas o pessimista descobre isso, de novo, a cada dia”.  (Peter Ultinov)

                —“O pessimista é um otimista com experiência própria.” (?)

                —“É melhor ser pessimista do que otimista. O pessimista fica feliz quando erra e quando acerta”. (Millôr Fernandes).

                —“O otimista erra tanto quanto o pessimista, mas não sofre por antecipação”. (Fernando Sabino).

                —“Os mais pessimistas de agora foram os mais otimistas de outros tempos”. (?)

                —“O otimista pode até errar, mas o pessimista já começa errado.” J. Kubitscheck

                E há muitas outras opiniões, mas só estas bastam para o meu leitor tirar as suas boas ou melhores conclusões. Eu fico com a do filósofo chinês, Confúcio, que nasceu em 551 Antes de Cristo. E o leitor? Escolhe qual?

                Já Oscar Wilde, um maluco escritor americano, sobre a mesma pergunta, soltou essa: “O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, escolhe ambos”.

                Atenção, não é querer valorizar uma simples página que não valeria mais do que um conceito seco de “brincadeira”, mas a nossa vida diária, o nosso modo de ser, a nossa saúde física e mental, ao meu modesto ver, depende (e como!) da maneira pessimista ou otimista como encaramos a realidade diária. Não custa tanto ser otimista, mas com responsabilidade.

                 

                 






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