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Crônicas de Santão
Postada por:  Geraldo Santão,  em  20/06/2013 às 10h02
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Os jornalões e a antropofagia tucana
Amigos, hoje, ao me levantar, e de imediatamente me lembrar de que tenho de escrever uma crônica para o velho O IMPARCIAL, foi como se a minha mente inteira voltasse no tempo e me levasse de novo àquela época em que eu escrevia sem compromisso (antes de publicar a primeira crônica neste jornal eu escrevia várias coisas. Nenhuma publicada); ali pela adolescência ou já quase saindo dela. Acho que já nasci escrevendo. Tinha eu apenas três meses de escola, em Ubá (saí da roça e fui morar em Ubá, ainda que por poucos meses); e minha mãe me colocou num lugar chamado Externato Santa Terezinha, com a ajuda de uma moça vizinha, dentista, que se ofereceu para me levar, matricular, fazer tudo. Porque minha mãe, claro, não sabia nada de cidade ainda, apesar de ser uma mulher perspicaz, com agudeza de espírito... Por incrível que pareça, foi ela quem me ensinou muito, no que diz respeito à estrutura do pensamento...

20/06/2013 às 10h02

Amigos, hoje, ao me levantar, e de imediatamente me lembrar de que tenho de escrever uma crônica para o velho O IMPARCIAL, foi como se a minha mente inteira voltasse no tempo e me levasse de novo àquela época em que eu escrevia sem compromisso (antes de publicar a primeira crônica neste jornal eu escrevia várias coisas. Nenhuma publicada); ali pela adolescência ou já quase saindo dela. Acho que já nasci escrevendo. Tinha eu apenas três meses de escola, em Ubá (saí da roça e fui morar em Ubá, ainda que por poucos meses); e minha mãe me colocou num lugar chamado Externato Santa Terezinha, com a ajuda de uma moça vizinha, dentista, que se ofereceu para me levar, matricular, fazer tudo. Porque minha mãe, claro, não sabia nada de cidade ainda, apesar de ser uma mulher perspicaz, com agudeza de espírito... Por incrível que pareça, foi ela quem me ensinou muito, no que diz respeito à estrutura do pensamento... Ela nem sabia, mas com apenas o primário, era uma formadora de homens de iniciativa, de atitude, de firmeza de caráter, principalmente isso, o caráter. Mas, voltando, eu não sei como é que pode, mas tem gente cujo único prazer real é ajudar os outros. E aquela dentista era exatamente este tipo de pessoa. Na época, menino, me apaixonei por ela (entenda-se, por favor); só que agora já não mais me lembro de seu nome, como, de resto, esqueço o de todo mundo, até o meu. É tão normal... Não sei por que nos espantamos!... Porém, a melhor prova do que estava narrando é que, com apenas três meses de escola, repito, todo mundo ficou assombrado, quando eu me debrucei no chão da sala com uma folha de papel e um lápis, e dali saiu uma carta que mandei para minha avó materna lá na roça. Lembro que aquilo foi o maior sucesso, mas eu mesmo achei tão fácil fazer a tal carta (hoje, talvez não saiba avaliar aquilo!...) que nem me abalou o prestígio que ganhei no pequeno círculo de minha convivência... Na verdade eu achava que apenas uma cartinha, qualquer um faria; que eles queriam mesmo era me incentivar, dar um empurrão naquele caipira já com mais de sete anos sem ver uma escola. Minha Tia Neném, entretanto, se entusiasmou tanto com minha carta que a guardou até poucos anos antes de morrer, sendo que hoje ninguém sabe onde foi parar. Talvez seja por isso que eu tenho tanta estima pela minha prima, Ana Maria Costa Amoroso Lima (ufa! Isso é que é nome!), porque deve ser ela uma das poucas testemunhas de que o fato aconteceu, pelo menos.

Muito bem. O fato é que os negócios de meu pai foram de mal a pior e fomos obrigados a nos mudar para a roça de novo, e a escola também ficou para trás.

O leitor deve estar pensando: “Mas o que é que eu tenho com isso, não tem coisa melhor para escrever do que um negócio mal sucedido do pai?”.

Não posso tirar-lhe a razão, mas também não posso mudar a minha história. Não posso mentir para a história só para fazer os meus feitos agradarem mais. Foi isso, e só foi.

Mas não há mal que não traga um bem. Pois não é que foi esse o fato que obrigou meu pai a nos levar (eu e meu irmão menor) para o Professor João Loyola? Para ser curto, João Loyola fez um teste comigo (da minha escolaridade de poucos meses no externato), e disse a meu pai que iria experimentar, talvez eu aguentasse entrar logo no segundo ano em vez de no primeiro, como entrou meu irmão, Luizinho (por falar nisto, Luizinho está morando aqui, mudou-se para cá). E eu passei, também, do segundo para o terceiro e depois para o quarto, indo para Rio Pomba logo após, e passado no exame de admissão ao ginásio, onde ingressei no ano seguinte. Em primeiro lugar, não posso abrir mão de contar esta vantagem. Sim, pois eram 400 alunos para 62 vagas. (Vê se me ajuda aí, leitor. Não fique com antipatia por eu estar contando estas vantagens, porque tudo isso é pura verdade e, para isso, tenho ainda testemunhas).

Porém, não tenham medo, não vou escrever minha autobiografia. E nem tenho mais espaço. Hoje tenho apenas esta nesga de espaço, que acredito ser muito mais por respeito a estes 51 anos de convivência com o Jornal do que uma colaboração mais jovem e robusta dos meninos que, com certeza, assumirão as vagas.

Mas como o título que coloquei não pode ser justificado só neste finalzinho, pelo menos quero dizer que, no momento, ou nos tempos atuais, a Presidência da República não está ao alcance da tucanada. Pior: vocês, tucanos, estão carecas de saber disso. Mais uma eleição só servirá, mesmo, para cumprir a lei eleitoral. É uma pena. Mas não voa mais. Talvez fique só um bico. Calado. Ou talvez, nesses casos, é perigosa a antropofagia. Não sobra nada.






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