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Crônicas de Santão
Postada por:  Geraldo Santão,  em  27/05/2013 às 14h37
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A moda e o estilo
Geraldo dos Santos Pires (Santão) geraldo.santao@Yahoo.com.br

27/05/2013 às 14h37

Amigos, eu ando bastante falto de entusiasmo. Mas, antes de qualquer interpretação sobre a razão deste meu desencanto aparentemente sem razão de ser; e antes de mergulhar numa chiquérrima depressão (como está na moda por aí...), antes de qualquer atitude, dizia eu, não seria mais prudente e sinceramente menos ridículo eu ter uma conversinha comigo mesmo, coisa reservada, sem fricote e sem faniquito histérico, eu e eu, sem testemunha de ninguém, apenas nós dois tentássemos resolver esta parada? Não é assim que faz o homem que se olha ao espelho? Vocês já devem estar cansados de ler aqui o caso que eu conto vez por outra sobre o homem do espelho. Nada é mais completo, sincero e verdadeiro do que um homem honesto olhando-se ao espelho. Epa! Vocês vão me desculpar por eu próprio estar como uma coruja, gabando o próprio toco e, pior, sem certeza alguma de a autoria da frase acima, em negrito, ser minha e inédita. Sei lá... Gostei da frase tão logo acabei de escrevê-la. Mas larga isso pra lá, aposto como ninguém iria deixar para eu inventar, euzinho, sem banco de academia... Tanto que já vou adiantar desculpas se antes alguém já escreveu a mesma coisa. Eu nunca vi. Me senti mais escritor, depois dela.

A propósito, outra descoberta magnífica: se você está com a “asa caída”, não pare, não fique, não se imobilize, mas ande, vá em frente, o próprio caminho (sei lá para onde você vai), física ou mentalmente, poderá e deverá dar-lhe um sinal: uma flor exótica no barranco à beira da estrada, uma carreira de formigas trabalhando sem parar e sem tempo para depressões, a cachoeira que despenca lá de cima da pedreira sabe lá Deus há quantos milhares de anos e sem preguiça de continuar... Você desviará a sua atenção tão derrubada para um mundo todo em movimento e aquilo, sem que você perceba, faz você movimentar também... Já há previsões de que daqui a pouco seremos 30% de deprimidos no mundo. Mais de dois bilhões de prostrados, mortos-vivos, só porque não tiveram (os deprimidos) a coragem de tomar a decisão de andar, de seguir, não importa para onde, mas andar, ir, teimar, como pescar, mesmo sem gostar, mudar a roupa e dar uma volta até lá no Posto Cacique (A TV não diz a toda hora que no Posto Cacique tem tudo? Às vezes tem o que você quer...), e depois volta. Se no caminho encontrar um chato de quem você não gosta, seja breve com ele, vai saindo e pronto, ele que se zangue se quiser. Mas quem sabe você encontra com alguém que não vê há anos, e gosta dele? Não valeu ter saído? Não quer ir à casa de ninguém? Pois não vá. Vá pela rua, a rua é de todo mundo e não é de ninguém em particular. Por isso é que eu ouso dizer que depressão, na maioria dos casos, é opção, não é doença. É moda. Estilo não é. Nunca!

                Moda, aliás, você já viu, né? Eu tenho horror à moda. Toda moda tem o caráter de Macunaíma. Ou seja: não tem nenhum caráter. Ao contrário, aí entra o estilo, que faz oposição à moda. O estilo, sim, tem caráter, tem bom gosto, tem elegância, charme, limites. Eu disse que tenho raiva de moda porque, alguns meses depois que uma mulher elogia a roupa da outra e acha linda e morre de inveja, e faz fofoca, e coloca a tal roupa lá nas alturas; mas, se alguns poucos dias depois, a Moda Oficial cancela a moda vigente, aquela mesma mulher que elogiou, que amou, que morreu de inveja, será a mesma que dirá escandalizada ao ver passar alguma descuidada: -Cruzes, que coisa horrível, démodé, horrorosa, meu Deus que roupa fora de moda, cruzes! E é a mesma roupa que ontem estava “bombando”... Vá entender mulher...

                Mas eu comecei dizendo que ando meio (deixe-me procurar lá em cima), ah, meio falto de entusiasmo. Não vou negar que esse recurso aí entre parêntese é apenas um jeito, digamos, mais letrado de dizer que eu ando descuidado com a minha personalidade, com o meu estilo, com o meu eu, enfim: sabe aquele negócio de você não estar se importando com que roupa vai sair à rua, se a barba está por fazer?... É por aí.  Porque a palavra entusiasmo vem do grego “enthousiasmós” e significa, entre outras, “estado de emoção religiosa intensa, inspiração divina”, ou seja, “aquele que tem Deus dentro”.

                Vejam, pois, como é profundo e complicado esse negócio de depressão, de ficar com a crista caída, sendo que a pessoa não encontra uma razão para aquela sem-gracice sem razão nenhuma de ser, sabe?

                Vocês podem não acreditar, mas quando eu comecei a escrever este texto eu era uma pessoa, agora já sou outra. Não vou dizer que estou pulando de alegria, mas também não estou entregue às baratas, como estava, sem vontade de ler, de ver TV, de sair, de ficar, e muito menos de escrever. Não precisa ir longe: na última edição do nosso Jornal eu não escrevi por falta exatamente de entusiasmo. Mas eu sou aquele mesmo que vocês conhecem: se me der chance de escrever ao menos uma linha, quando vejo já estou chegando embaixo, como agora, sem, possivelmente, ter escrito nada importante, mas garanto que ao menos a alguém, nem que seja outro solitário como eu, vai gostar de ter lido estas minhas conjecturas.

                E vou repetir: outra pessoa, é esta que eu já me sinto agora. Eu saí daquele estado terrivelmente destruidor da alma humana: a falta da Graça, o contrário do entusiasmo. E o que é que eu fiz para sair daquela depressão em que me encontrava? Nada. Viajei sem sair do lugar. Comecei a escrever. Como poderia ter saído para a rua: Lembre-se: principalmente sem vontade. Só de exercitar a respiração já é muito importante para a saúde. Tchau.






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