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Crônicas de Santão
Postada por:  Geraldo Santão,  em  15/02/2013 às 18h31
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O mundo não mudou nem mudará
Amigos, começo a escrever isto aqui às 10h, 31-12-2012 (da manhã, claro). Estou sendo redundante, porque a ideia que me puxa a mexer neste assunto chegou agora, veio sei lá de onde ou de quê, tipo “deu na veneta”, e nem sequer examinei as probabilidades de ser chamada a pior ou a melhor crônica do ano. Tudo é possível...

15/02/2013 às 18h31

Amigos, começo a escrever isto aqui às 10h, 31-12-2012 (da manhã, claro). Estou sendo redundante, porque a ideia que me puxa a mexer neste assunto chegou agora, veio sei lá de onde ou de quê, tipo “deu na veneta”, e nem sequer examinei as probabilidades de ser chamada a pior ou a melhor crônica do ano. Tudo é possível...

                Mas, vejam vocês: como eu escrevo com a TV ligada ou não —tanto faz —, e na mesma mesa do teclado, às vezes minha cabeça não consegue debulhar direito o que quero dizer, principalmente a ordem que as palavras deveriam tomar. Mas não importa, quando cismo de partir para uma direção que escolho, costuma cair árvores ou edifícios em volta, e pouco se me dá para onde está indo o mundo: sou fiel àquele pensamento e pronto. Tem suas inconveniências, mas é bom ser como eu sou. A fidelidade ao nosso pensamento (nós que escrevemos) importa muito, quando se tem 50 anos pelas costas para testemunhar, durante todo esse tempo, o que foi que pensamos e escrevemos, pois tudo está lá nos arquivos implacáveis da Carmen Lúcia e do Zé de Assis. Assim, temos vindo tocando a vida — eu, a diretora, a equipe do Jornal (eu não sei dispensar o “J”maiúsculo), enfim, todos nós que, de alguma forma,  há nada menos do que 116 anos temos escrito, mal ou bem, a história da cidade como ela é, já que, no fundo mesmo, nós gostaríamos que ela tivesse se saído melhor na História: teve tudo nas mãos, nesses 245 anos, mas, aos pouquinhos, deu-se a um inexplicável minguar, amiudou-se, apequenou-se, até que alguém, no século passado, apelidou-a de “cidade do já teve”, preferiu entregar o progresso e o crescimento aos vizinhos.

                Vou até abrir outro parágrafo, embora continue falando da mesma coisa, mas não é em vão o meu esforço linguístico: dá-se, como eu disse, que ela entregou o crescimento aos vizinhos no passado, embora recentemente tenha mostrado um surto de crescimento puro, faltou e ainda falta o desenvolvimento. O dito crescimento — qualquer um tem avaliado sem reservas —deu-se muito mais ao próprio crescimento da velha e única Escola Agrícola que, do tempo do Dr. Último de Carvalho até a chegada do governo Lula, a bem da verdade poderia ter sido muito mais do que foi: nos primeiros anos gerou um sem-número de empregos a velhos apadrinhados políticos, tendo só e para isto prestado, considerando o seu potencial hoje. Ah, o comércio também melhorou com a entrada mensal dos pagamentos feitos pela mesma escola, tanto aos professores, funcionários, como ao comércio em geral. A cidade girava em torno  disso, e o dinheiro que a Escola recebia mensalmente do Governo Federal era maior do que todo o dinheiro que entrava e saía dos cofres da Prefeitura mensalmente. E Rio Pomba era só esse dinheiro que circulava e oxigenava a cidade que, de vocação centenariamente preguiçosa, deixava irem-se os anos sem procurarem, os políticos locais, nenhuma ideia nova para evoluir.

                Assim como Último de Carvalho, naquela época, deu aquele arranco que pensávamos fosse elevar esta cidade a um “status” de cidade universitária (mas não chegou a entusiasmar, sendo que a alguns até decepcionou o desempenho do educandário de 1960 até recentemente); assim também, com a chegada do Governo Lula, para agonia de alguns infelizes que tratam política como se fosse futebol (paixão), agora no Governo Lula, repito, as escolas agrícolas foram elevadas à categoria de Ifets (Institutos Federais de Educação), e foram criadas, se não me engano, mais 300 instituições (diga-se que havia apenas 60 no País todo, às quais foram juntadas mais 300, se não me engano). Por que não fizeram antes? Agora ficam tentando desvalorizar Lula, o maior presidente do Brasil desde 1500. E já que nesses mais de cinquenta anos da antiga Escola Agrícola até agora não tivemos, infelizmente, uma lista farta de nomes que conseguissem sobressair-se na sua administração (os poucos já os citei aqui certa vez), por outro lado, no presente, tenho a grata satisfação de citar o Prof. Arnaldo Prata Neiva Junior, o atual Diretor do Campus Rio Pomba, como um jovem de carreira promissora, haja vista o caráter que deixa transparecer em duas decisões. Infelizmente não tenho informações oficiais e nem poderia tê-las, por não ter nenhum vínculo com o IFET, mas os feitos de um homem de bem também ganham as ruas. E apenas ouço falar bem deste jovem. Vá em frente, Juninho.

                Como se há de ver, o mundo não mudou nem mudará; apenas, ou de tempos em tempos, os valores que governam as nossas vidas sofrem o açoite do bem ou do mal, fazendo com que a civilização se torne uma Grécia antiga ou uma Grécia de hoje, inacreditavelmente desacreditada, descolorida e esquecida da sua História tão bonita, que esta jamais haverá de mudar, haja vista que, sem a Grécia e seus grandes iniciadores da cultura ocidental, não há como concebermos o mundo de hoje, a filosofia, a sociologia e a própria sabedoria. Todavia, quando é o dinheiro, e só o dinheiro, o único parâmetro para medirmos valores, como nesta recente crise econômica mundial, e principalmente europeia, o homem peca sério e esquece a sua própria, única e insubstituível riqueza, que é a saúde mental administrando o comportamento, para que daí qualquer povo possa verdadeiramente crescer, evoluir, elevar-se à dignidade. Eu ainda tenho esperança de sermos uma civilização regida pela dignidade. Que maravilha será... Mas esta esperança é para o alcance de futuras gerações, a minha não a merece. Aliás, nós estamos muito atrasados: uma tsunami, um furacão, um simples relâmpago, imagine!... Um simples relâmpago pode nos matar a qualquer hora (!)... Que segurança temos hoje, a mais moderna, se um velho e simples raio me cai em cima e mata, logo nós que, chegando aqui em 1500, achávamos os índios atrasados!... Em quanto ou como nos evoluímos até hoje? Desde Nostradamus, ou a propósito dele, vieram me dizer que uma mulher aqui na cidade (claro que não citarei o nome) tentou o suicídio (só tentou). Sabem por quê? Ela entrou em pânico com aquela notícia de que o mundo acabaria em 21 de dezembro. Ela creu e não estava suportando chegar a hora... Impediram, claro. Aliás, o mundo foi muito bem calculado. Trilhões de astros rodam harmoniosamente no Universo, com certeza por ordem e muita competência de Alguém. Esse Cara é Ele.

É isso aí. Suicida não, boba. Espera a sua hora. Deixa a vida te levar, ora...         

                 

 

 

 






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