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Crônicas de Santão
Postada por:  Geraldo Santão,  em  31/01/2013 às 17h46
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Maria de Quê?
Amigos, para quem escrevia quase que ininterruptamente uma crônica por semana, no tempo do O IMPARCIAL semanal, devo confessar que escrever de 15 em 15 dias é uma tremenda moleza. Pois nem assim — vejam como as aparências enganam..

31/01/2013 às 17h46

Maria de Quê? 

Geraldo dos Santos Pires = Santão

Geraldo.santao@yahoo.com.br

                               Amigos, para quem escrevia quase que ininterruptamente uma crônica por semana, no tempo do O IMPARCIAL semanal, devo confessar que escrever de 15 em 15 dias é uma tremenda moleza. Pois nem assim — vejam como as aparências enganam —, eu tenho mantido a fidelidade, aliás, não é fidelidade, é pontualidade, de antes. Temos sempre uma desculpa esfarrapada para dar a propósito, mas desta vez não é desculpa e nem motivo, é razão mesmo, é não estar com o espírito aberto, despregado... Nem sempre estamos livres para voar, sonhar e botar no papel, pronto. Porque escrever e agradar com o seu escrito, meu amigo, requer, antes, que você esteja pronto para se doar, solto para falar e se entregar sem medo algum, é um estado de espírito que não guarda reserva alguma, uma alma solta a falar alegre para alegrar alguém. Só que, para isto, é preciso estar despregado, descompromissado. Mas muitas vezes não estamos; muitas vezes estamos presos e alertas a quaisquer sinais negativos à nossa volta. Todo mundo é assim, ninguém tem liberdade para tudo e para sempre. A qualquer hora, a qualquer dia a gente... Deveríamos até aproveitar esta minha afirmativa, porque quando a sorte e o destino resolvessem nos abraçar para fazer-nos felizes totais, que nós agarrássemos com unhas e dentes esta santa chance d’Ele, para que não perdêssemos um único segundo dessa dádiva que por acaso e às vezes cai sobre nós. Porém, somos tão descuidados e mal-agradecidos que, ao extasiar-nos sob os raios da Luz da Graça,  esquecemo-nos de que tudo aquilo é uma coisa só: Deus! E que Ele espera de nós um obrigado, não para Ele, onipotente, mas para nós próprios, ou seja, que neste agradecimento nós possamos dar uma satisfação ao mundo em que vivemos; por voltarmos a ser felizes após um revés, ou seja, agradecemos e voltamos a ser alegres no Todo, porque, no fim, o Todo não é senão Ele!

                Bem, eu nem sei se vocês conseguiram entender essa minha quase prece; não sei como posso ser tão prolixo, se Deus é o Simples, o verdadeiro, o sincero, o correto, o bom, o Pai... Digo isto porque Rio Pomba é tão pequena (ou não?) que, entre nós, tudo se sabe, não há segredo. Eu não sei se foi o Joaquim, o Toquinho ou o Helvécio, meu irmão (eles três jogam no time do Distrito Industrial), eu não sei quem falou, mas falou: “Se alguém lá na “Pedreira” der um espirro, alguém aqui da “Estação”, na mesma hora, responde assim: “Deus ajude”. Não há segredo no Pomba, tudo se sabe, inclusive todos os pontos de droga. Aqui, nada está escondido. Mas eu não digo que sou prolixo? Quando eu me sento a esta maquininha, parece que perco o juízo: vou virando um punhado de cambalhotas pro pasto abaixo e a mim, pelo que sei, só me resta  deixar-me cair até que algum ponto e vírgula diminua a velocidade ou um parágrafo grite mais alto e me faça parar. Só. (E ainda tem gente que acha difícil escrever...).

                Mas eu preciso falar da “Maria de Quê”.

                Deixem-me, antes, dizer uma coisa: Eu tenho quase certeza de que já escrevi aqui ao menos uma crônica sobre a Ivone do Zé do Padre. Se não escrevi sou um bobo, porque a Ivone é, em si mesma, um tema apaixonante. O jeito de Ivone tocar a vida, o sorriso que ela sempre põe no lugar da vontade de chorar (pelo menos é o que a gente fica pensando, considerando-se que no Pomba sabemos da vida de todo mundo), a quantidade de mulheres elegantes que a Ivone já vestiu nesta cidade; a lâmpada, com certeza, fazendo arder os olhos que costuram até altas horas... A Ivone, para mim, é o próprio modelo do ser humano idealizado por Ele. Mas, no entanto, e como parece ser sempre o Grande Plano do Criador, a intenção d’Ele não é mesmo fazer o Paraíso aqui na Terra. A Ivone parece ter descoberto isso bem antes de nós. Vai aqui, pois, o meu respeito, a minha admiração e o meu desejo enorme que ela seja muito feliz, seja hoje, seja ontem, seja depois, seja onde for, mas que seja à sua maneira. Ela vai ser. Vai.

                Bem, mas e a Maria da Ivone. Deus a levou dias atrás. Eu estava viajando e soube bem depois. Eu via a Maria passar aqui na minha rua, baixinha, já curvada pelos anos... Qual a história da Maria? Ora, sabe que nunca pensei nisso antes? Miseráveis como todos somos, só nos lembramos de alguém quando precisamos deles. Ou então quando, casualmente, passam na nossa rua e então lembramo-nos não sei por quê: “Puxa vida! Que tempão que não vejo a Maria. Pensei que ela já tinha morr...” Isso. Somos assim mesmo. E não quer dizer que devamos todos ir para o inferno por causa disso, mas bem que poderíamos ser mais iguais, mais bons (por favor, redação, mantenha o “mais bons”)... Veja que vim a saber que a Maria estava com um probleminha impedindo o seu sepultamento, porque ninguém sabia o seu nome e nem o seu sobrenome, apenas Maria. Maria só. Ou melhor: só Maria. “Mas Maria de quê?!" – vinha o mais aflito, que continuava incrédulo: — não é possível uma pessoa chamar-se Maria só, ou só Maria... E isso foi pela vida inteira, durante 85 anos?

                Pois bem. Fui ao Cartório de Registro e vi que ela, realmente, chamou-se apenas Maria por 85 anos! Mulher não tinha valor algum no início do século passado. E tem mais, quer ver: O pai dela (está lá na Guia de Sepultamento) chamava-se José Roberto de Faria. A mãe — veja só —Severina de Jesus. Quer dizer: o único parente seu era Jesus. É claro que aí ela levou uma baita vantagem, porque não teria melhor parente para escolher, não é não? Jesus!

                Lembrei-me agora vagamente de “Maria Ninguém”, música e letra de Carlos Lyra, em que o compositor fala mais ou menos assim: “Pode ser que haja uma melhor, pode ser que haja uma pior... Neste mundo há muitas Marias, mas igual à Maria que eu tenho, no mundo inteirinho, igualzinho, não tem!” Esta crônica vai em homenagem à Maria da Ivone.






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